12 de jun. de 2009

Venda de rebanho bovino a prazo pode ser extinta no Centro-Oeste

Os estados do Centro-Oeste do Brasil juntaram forças para defender a ideia de uma nova comercialização do rebanho bovino, mais justa, com menos riscos e “Só à Vista”. A campanha, liderada em Mato Grosso do Sul pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado – FAMASUL, é feita em parceria com as Federações de Mato Grosso (FAMATO) e Goiás (FAEG). Os três estados terão campanha em rádio, televisão, sites, veículos impressos e outdoors que orientam o produtor rural a não vender a prazo, muito menos para frigoríficos em processo de recuperação judicial.

A decisão do lançamento da campanha foi tomada após reunião em Goiânia, no último dia 25 de maio. Os produtores começaram a restringir a oferta de animais e a indústria sentiu os reflexos do movimento em suas escalas de abates.

Desde o final de outubro do ano passado, quando os reflexos da crise mundial começaram a abalar setores econômicos nacionais, os pecuaristas foram envolvidos pelos problemas da recessão. O gado fornecido pelo produtor à indústria para abate não foi pago. Uma série de pedidos de recuperação judicial de grupos frigoríficos começou a se espalhar pelo país.

Frigoríficos pararam suas operações, funcionários foram demitidos e credores não pagos. Somente nos três estados do Centro-Oeste são mais de 40 indústrias que estão paradas, encerraram atividades ou estão em recuperação judicial.

É a indústria que coloca o preço no gado do pecuarista e que diz a ele quando vai pagar. Sem contar o fato de que nas relações comerciais entre indústria e pecuarista, comumente, não são utilizados instrumentos garantidores do recebimento do gado fornecido.

“Quando vamos vender uma propriedade, um equipamento, não vendemos sem o mínimo de garantias. Mas, um boi que leva cerca de três anos para chegar ao ponto de abate, comercializamos de forma simplória e sem garantias jurídico-comerciais”, diz o presidente da FAMASUL, Ademar Silva Junior.

Ademar explica que a assessoria jurídica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA está estudando instrumentos reais que o produtor possa utilizar como forma de garantia ao gado comercializado com o frigorífico. Um dos estudos que está sendo realizado é em relação à viabilidade da nota promissória rural, por exemplo.

Para o presidente da FAMATO, Rui Prado, é hora de mudanças de paradigmas. “Quem tem que dar prazo aos frigoríficos são os bancos e o não produtor. Se o frigorífico precisa de capital de giro naquele mês, que recorra ao agente financeiro. Mas, parece que virou obrigatoriedade o pecuarista ter de ceder seu capital de giro à indústria”, comenta.

Prado admite que se trata de um processo de transição de costumes de mercado e como toda mudança os pecuaristas precisarão de um tempo para absorvê-la. Mas é consenso entre os titulares das Federações dos estados do Centro-Oeste o fato de que, após essa crise, não será mais admissível relações comerciais tão frágeis como as travadas atualmente.

Fundo garantidor

Uma das propostas também defendida pelas três Federações é a criação de um Fundo Garantidor da Pecuária de Corte. A viabilidade da proposta ainda vem sendo estudada, mas consiste na criação de um fundo que permita o pagamento de credores em casos de problemas com a indústria como os vividos atualmente. Ele funcionaria da seguinte forma. A cada montante de recursos obtidos pela indústria em agentes financeiros federais, um porcentual seria destinado ao fundo que serviria de lastro. Com o fundo, seria possível consolidar e fortalecer as alianças mercadológicas entre os elos do setor.

A diferença do sul

No Rio Grande do Sul, até 1970 o gado era vendido “a olho”, de acordo com a Federação de Agricultura do estado, a Farsul. As coisas mudaram por lá, e o preço do animal é definido por meio de uma conta simples: peso x preço do quilo vivo, que gira em torno dos R$ 2,60. A arroba não é usada, e o peso é conferido na balança que a maioria dos pecuaristas tem na propriedade.

As marchanterias - pequenos abatedouros municipais ou estaduais – tomam conta de 50% do mercado no RS, o que torna o mercado interno forte. Apenas um frigorífico, com quatro plantas, exporta carne para a União Europeia.

Sato Comunicação com FAEG e FAMATO

Um comentário:

  1. Boa tarde! acho que é a melhor coisa que voces devem fazer, ja fui produtor no Tocantis e alem de perder algum dinheiro ainda me encomodei com negocios de gado a prazo, gostaria de me cadastrar com vcs, como devo proceder?... chicoboff@hotmail.com

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